quinta-feira, 18 de março de 2010
Utopia e consciência
A utopia dá cor à minha vida e ajuda-me a traçar o trilho em prol de uma postura ética perante os outros.
O sentimento de culpa é, a esta luz, um sentimento adstricto à incompletude do ser humano, um ser em permanente construção e que aspira a socializar e estar com os outros de forma autêntica e leal.
O sentimento de culpa é a vozinha da consciência que me diz estás a fugir do caminho que traçaste.
Referências teóricas:
Paulo Freire: a comunicação como forma de aprender a viver e a crescer com os outros.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Paulo Freire
É a escola que muda a sociedade ou é a sociedade que muda a escola?
"Em primeiro lugar não é a escola que muda a sociedade, mas é a sociedade que faz a escola e ao que parece a escola constrói-se com esta dialéctica." Freire citado em Torres, C. A. (2005). "Os mundos distorcidos de Ivan Illich e Paulo Freire". In Educação Crítica e Utopia. Porto: Afrontamento, p. 92.
terça-feira, 16 de junho de 2009
O homem como sujeito da história
"É preciso brigar"
"A necessidade de outras marchas(...) a marcha pela decência, (...) marcha contra a sem vergonhice que se instalou na sociedade brasileira"
"a adaptação do ser humano é um momento para a sua inserção no mundo. Na adaptação há um ajuste do corpo às condições e na inserção o que há é a tomada de decisão no sentido de inserção no mundo."
Não aceitar o mundo como nos é dado "Não aceito expressões como: é uma pena que haja tantos brasileiros a morrerem de fome, mas a realidade é essa mesma."
As marchas como manifestação da rebeldia transformadora, luta contra a passividade.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Contributos para a construção de uma escola democrática, a proposta de Paulo Freire

Palavras-chave: escola democrática, educador progressista, administração democrática, “mudar a cara” da escola, educação "bancária", conscientização, inclusão.
A possibilidade de pôr em prática um ideal de escola democrática e popular deverá ter sido um amplo desafio para o pedagogo brasileiro, alguém que traçou o seu trajecto biográfico em duas frentes: teórica e prática, pois considerava que o diálogo construtivo entre a teoria e a prática se “iluminam”mutuamente, e por que aprender a pensar a prática capacita-nos para outras racionalizações, porventura teorias que possam entender outras práticas.
A acção de Paulo Freire no município de São Paulo foi, assim, uma oportunidade de comprovar a sua teoria de base de que é possível uma educação democrática para todos, sendo necessário reformular não só o corpo, mas também a alma da escola. A escola e o educador progressistas são duas realidades que deverão caminhar par a par, com a contribuição de todos os intervenientes. Na verdade Freire diagnostica assim os principais problemas da escola pública e as razões que provocam a exclusão das camadas populares: interiorização de menosprezo devido à degradação da “coisa pública”, modelo pedagógico desadequado à heterogeneidade dos educandos, desvalorização do “saber de experiências feito”, inadequação dos critérios de avaliação, desfasamentos linguísticos, linguagem oral em confronto com a linguagem escrita, preconceitos sociais instalados nas estruturas da sociedade resultantes de solidariedades paradoxais, autoritarismo e educação “bancária”, consciência ingénua face às finalidades dos conteúdos do currículo, ausência de desvendamento do currículo escondido, desvalorização do saber pelas classes populares, o que contribui para a sua exclusão, por exemplo do mercado de trabalho qualificado, o que traça as diferenças fundamentais entre o “sobreviver e o viver bem”. Apesar de a educação não ser o único passaporte para as “mudanças estruturais da sociedade”, não poderá descurar a sua finalidade de transformação política e de conscientização das camadas populares, no sentido em que é através da luta colectiva que se alteram realidades que obstaculizam acessos a uma vida digna. As bases da pedagogia da conscientização e, consequentemente, do educador progressista, são: saber, mas acima de tudo “pensar certo”, “conscientizar-se” é saber que políticas são levadas a cabo, a favor de quê e de quem são implementadas, contra o quê e contra quem se realizam, isto é ensinar conteúdos, implica uma leitura crítica e desocultação da realidade. Falar de educação neutral é, por tudo isto, um paradoxo que deverá ser, acima de tudo, desvelado e amplamente problematizado.
Os principais problemas que contribuem para a construção de uma escola debilmente democrática e inclusiva parecem-nos os seguintes: tradição de regulamentação excessiva da escola, imposição de normativos e “pacotes” legislativos, formação permanente de professores deficiente face à heterogeneidade dos educandos, ténue reflexão sobre a prática docente, discursos continuados de reforma da escola, contributos perversos da comunicação social através da valorização exagerada de relatos de casos negativos, contribuindo para a desmotivação e, consequente, crispação entre os diversos interlocutores da escola (professores, directores, auxiliares, pais, outros parceiros), fragilidade na actuação estratégica e no combate às verdadeiras causas que provocam a exclusão dos educandos. Face ao exposto, poderá a municipalização ser um desafio para as dificuldades da escola? Tal como diz Freire a municipalização da escola poderá ser uma oportunidade para a construção de uma escola democrática, desde que não seja entendida como desobrigação do Estado face à educação, caciquismo ou focalismo. Para o pedagogo brasileiro, tanto o caciquismo das lutas políticas, como as práticas focalistas não estão à espera da municipalização para existirem. E quanto à cooperação internacional? Ela será bem-vinda quando seja sinónimo de diálogo construtivo e não como “cooperação” como moeda de troca em prol da ajuda que possa vir a subsidiar.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Características da conciência
CARACTERÍSTICAS DA CONSCIÊNCIA INGÉNUA
1 . Revela uma certa simplicidade, tendente a um simplismo, na interpretação dos problemas, isto é, encara um desafia de maneira simplista ou com simplicidade. Não se aprofunda na casualidade do próprio fato. Suas conclusões são apressadas, superficiais.
2. Há também uma tendência a considerar que o passado foi melhor. Por exemplo: os pais que se queixam da conduta de seus filhos, comparando-a ao que faziam quando jovens.
3. Tende a aceitar formas gregárias ou massificadoras de comportamento. Esta tendência pode levar a uma consciência fanática.
4. Subestima o homem simples.
5 . É impermeável à investigação. Satisfaz-se com as experiências. Toda concepção científica para ela é um jogo de palavras. Suas explicações são mágicas.
6. É frágil na discussão dos problemas. O ingênuo parte do princípio de que sabe tudo. Pretende ganhar a discussão com argumentações frágeis. É polêmico, não pretende esclarecer. Sua discussão é feita mais de emocionalidades que de criticidades: não procura a verdade; trata de impô-la e procurar meios históricos para convencer com suas idéias. É curioso ver como os ouvintes se deixam levar pela manha, pelos gestos e pelo palavreado. Trata de brigar mais, para ganhar mais.
7 . Tem forte conteúdo passional. Pode cair no fanatismo ou sectarismo.
8. Apresenta fortes compreensões mágicas.
9 . Diz que a realidade é estática e não mutável.
CARACTERÍSTICAS DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA